O aumento da alienação parental em tempos de pandemia

O aumento da alienação parental em tempos de pandemia

Diante desse cenário tão delicado de pandemia, observa-se com muita preocupação a área da saúde, porém a família também acaba por ser muito afetada, bem como a área empresarial.

A pandemia mundial da Covid-19, junto com seu distanciamento social, tem trazido para a sociedade a importância de dialogar sobre problemas já existentes no convívio pessoal, mas que por vezes ficam secundárias diante de dias corridos e com pouco contato entre os familiares.

O aumento de casos de agressão física e verbal contra mulheres e crianças é um exemplo de como o isolamento social acabou maximizando atos criminosos dentro das famílias, o que pode ser necessário um profissional criminal.

Dentre os problemas familiares existentes, está a chamada alienação parental. Onde genitores acabam tentando interferir nos sentimentos dos seus filhos com relação ao outro genitor.

A alienação parental é um termo que surgiu exatamente para descrever determinadas atitudes cometidas por um dos genitores ou outro parente, que tenta de forma cruel disseminar falsas ideias sobre o outro progenitor, criando uma barreira entre a criança e seu familiar.

Essa situação pode gerar problemas diversos na formação psicológica da criança, impactando inclusive em sua capacidade emocional na vida adulta.

As primeiras características que essas vítimas acabam apresentando geralmente está relacionada a comportamentos agressivos e problemáticos, e principalmente uma mudança extrema de comportamento com o genitor no qual ela sofreu a alienação.

O impacto da pandemia para famílias em processo de separação

Desde que a pandemia teve início, foi de preocupação dos órgãos regulamentadores, a busca por novos comportamentos que evitassem a disseminação do vírus. Assim também ocorreu no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente.

No dia 25 de março, a instituição divulgou uma nota orientando e sugestionando alterações temporárias no dia a dia das “visitas” de pais separados que tenham filhos:

Recomenda-se que crianças e adolescentes filhos de casais com guarda compartilhada ou unilateral não tenham sua saúde e a saúde da coletividade submetidas a risco em decorrência do cumprimento de visitas ou período de convivência — previstos no acordo estabelecido entre seus pais ou definido judicialmente”, dizia a nota.

É importante destacar que a nota não implica em uma lei ou regra temporária suspendendo a visita ou a guarda dividida. A nota apenas entrega uma sugestão, responsável, para os tempos que vivemos, mas em momento algum diminui o peso que uma relação pai/filho possui para a criança.

É justamente aqui que o genitor deve pensar nos melhores meios possíveis para interagir e fazer parte da vida de seu filho. Se a recomendação de evitar temporariamente o contato físico for seguida, a saúde da criança será zelada, porém o direito constitucional de pais e filhos deve ser seguido, com o contado frequente entre eles.

Essa é uma situação totalmente nova para todos, inclusive para a justiça, mas independentemente de qualquer coisa, o bom senso dos pais é sempre fundamental para que mesmo em um contexto de separação e isolamento social, a criança se sinta mais confortável possível.

A busca do equilíbrio entre o saudável para a criança e quem os cerca em tempos de pandemia e a necessidade do contato parental, será fundamental para amenizar as dificuldades impostas atualmente.

A criança é a parte mais importante neste processo, ela tem que estar protegida, morar em uma casa segura, limpa e detetizada e ter o apoio dos pais o tempo todo.

A alienação parental em uma realidade de distanciamento social

O distanciamento social acabou de certa forma proporcionando ainda mais a separação entre genitor e filho, como explicado acima. Afinal neste momento de consciência coletiva busca-se ao máximo que deslocamentos e contatos sejam evitados, para não ocorrer a disseminação do vírus.

Alguns genitores acabam aproveitando dessa circunstância para dificultar ou até impedir o contato genitor/filho, além de, por vezes, usar de falas mentirosas para a criança, criando uma barreira na relação da mesma com seu outro genitor.

Dessa forma, o contato dos filhos com seus pais acaba impedido até por meios virtuais. Cenário que não deveria ocorrer. Mesmo que sem contato físico, a relação pai/filho é de extrema importância para a criança, para sua formação e para sua capacidade emocional.

Em muitas situações, a alienação parental está relacionada ao sentimento de “vingança” entre um genitor e outro, devido a problemas que ocorreram em seu relacionamento, ainda no tempo de casal.

Um comportamento baixo e totalmente individualista, afinal de contas ele ignora totalmente a criança no meio de toda essa situação, além dos problemas que essa relação conflituosa gerará para ela.

É sempre importante por parte de ambos os genitores, compreender a importância que o contato da criança com ambos pais têm para sua formação. Aqui independe qualquer problema ou situação ocorrida como casal, a criança e suas necessidades devem ser prioridade e sempre atendidas.

Quando um genitor é impedido de ter contato com seu filho, ainda diante de tal circunstância, cria-se na cabeça da criança a imagem de alguém ausente e que não busca contato com ela, ou qualquer tipo de afeto. Situações que geram muitos dos traços comportamentais agressivos e rebeldes, principalmente na etapa da adolescência.

Não à toa, o comportamento de impedir o contato genitor/filho por parte de outro genitor é crime, bem como quando um genitor acusa ou disfere falas falsas sobre o outro genitor. A questão precisa ser levada a sério para evitar o afastamento afetivo entre um filho e seu genitor.

E neste ponto, quão mais rápida a questão for solucionada, menores serão os impactos na vida da criança. Assim, mesmo em um cenário de pandemia, a busca pelo Judiciário nestes casos é necessária com o objetivo de buscar evitar prejuízos emocionais irreparáveis para a vítima.